ALBANITA AGUIAR
Fotos: Erika Fraga
Formada em letras pela Universidade Católica de Pernambuco, Albanita Aguiar, lecionou por 30 anos. Aos 68 anos é a prova viva de que nunca é tarde para aprender uma nova profissão. Ao se aposentar ela começou a fazer artesanatos e hoje desponta como uma das mais promissoras artesãs de Pernambuco. Em conversa com a repórter Erika Fraga, Albanita conta toda a sua trajetória como artesã e as dificuldades enfrentadas pela classe dos artesões.
Como surgiu o interesse pelo artesanato em sua vida?
Foi desde criança. Eu sempre gostei de trabalhar com artesanato e a minha mãe era uma boa costureira cheia de ideias, então eu aprendi alguma coisa com ela. Eu sou professora de Português e Literatura, me formei pela Universidade Católica de Pernambuco, cheguei a lecionar por mais de 30 anos e quando me aposentei fiquei sem rumo, então para ocupar a minha mente eu resolvi me dedicar ao artesanato e isso já faz mais de 10 anos.
Quando o fazer artesanato deixou de ser hobby na sua vida e passou a ser profissão?
Foi quando eu comecei a participar das feiras. Uma amiga chamada Vitória me incentivou a conhecer o Prodart (Produções Divulgações Artísticas), então eu fui lá e levei o meu material, lembro que na época eu não fazia quadros, eu trabalhava com crochê, ponto de cruz, almofadinhas para crianças, toda a minha produção era voltada para crianças. Através do Prodart eu procurei a Prefeitura do Recife para me informar sobre as ações da Coordenadoria da Mulher e do Sindarem (Sindicato dos Artesãos da Região Metropolitana de PE.) desde então eu comecei a participar das feiras exercendo a profissão de artesã.
E quando você começou a produzir os quadros?
Há quase dois anos. Foi quando eu ganhei da minha irmã uma viagem para a África, isso foi nos preparativos para a copa e foi tudo muito proveitoso. No hotel em que ficamos hospedadas a decoração era toda feita com temas Africanos, e eu fiquei encantada. Ao ver toda a decoração, fiquei me perguntando se eu era capaz de fazer uma coisa daquela, eram vários quadros de todos os tamanhos. Lá eu passeei em várias feiras e percebi que o artesanato é muito rico, em alguns pontos chega a ser semelhante com o nosso, pois eles trabalham muito com cerâmica, argila e pedras. Então fiz muitas amizades e comecei a me entrosar com os artesões e fui aprendendo a forma de como eles trabalham. Foi basicamente uma oficina. Quando voltei eu trouxe tudo o que eu podia e era permitido trazer. Foram várias peças como estátuas de animais, entre eles elefantes, girafas e as tradicionais africanas. Chegando ao Brasil procurei aprender a fazer as caixas encontrei um artesão que sabia e passei a montar as peças. Mas com o tempo eu percebi que eu poderia expandir o tema e criar quadros que representasse a nossa cultura.
Entre todos os quadros que você já produziu, qual foi o que te deu prazer em elaborar?
Foi uma Ceia Larga encomendada por Ana Zuleide, que trabalha na casa do Carnaval. Ela me pediu uma ceia larga e ao invés de eu colocar os apóstolos eu deveria colocar as figuras regionais. Achei um tema maravilho, pesquisei muito antes de fazer, então eu sai colocando o caboclo de lança, a rainha do maracatu, o matuto, o lampião e a Maria bonita, a baiana, os cantadores... Coloquei as frutas da região como a pitanga, o passarinho na gaiola que é muito forte em nossa cultura, a jarra, as carrancas, o chinelo de dedo, a galinha da angola... Só não mudei o Jesus Cristo.
Onde você vende os seus produtos? Existe algum apoio da prefeitura em relação aos espaços e feiras para os artesões?
Atualmente eu vendo as minhas peças na Feira de Casa Forte, no Domingo na Rua que é a feira do Recife Antigo e na feirinha da Prefeitura que como eu disse antes, no momento esta funcionando no galpão da Petrobras ao lado da Prefeitura do Recife. Em relação ao apoio ele existe não intenso, mas existe. Neste momento estamos contando com o apoio do Sindarem que funciona lá na casa da cultura, que agora fundou a Casa do Artesão em Olinda, onde tenho várias peças para serem vendidas.
Quando foi criada a Casa do Artesão e como Funciona?
A Casa do Artesão foi inaugurada em Dezembro e funciona em Olinda. Ela é um espaço para os artesões que não possuem lojas, e que trabalham em feiras posam ter um local fixo e de referencia para venderem suas peças. E o bom é que os produtos saem direto das mãos de quem faz para as mãos de quem comprar, sem a existência de um atravessador, que muitas vezes encarecem os produtos.
Como anda a valorização do artesão no Estado?
Por incrível que pareça os pernambucanos não valorizam muito o artesanato local. Quando eles querem presentear alguém de fora eles procuram algo regional. Os nativos em grande parte ficam reclamando do preço, diz que esta caro. Quem realmente valoriza são as pessoas que vem de fora. A feira do Recife Antigo é uma feira boa porque tem um grande fluxo de turistas e os turistas quando gostam compram.
Além da pouca procura de muitos pernambucanos, qual é a maior dificuldade o artesão enfrenta?
A maior dificuldade da nossa classe é não ter um ponto bom para vendermos as nossas criações. Espaços nós temos, por exemplo, os armazéns do Recife Antigo, neste momento existem projetos para revitalizá-los e transformá-los em um polo cultural. Eu estou torcendo para que isso aconteça, pois precisamos muito de um bom espaço. Sem você observar em Boa viagem existe uma feira, mas o bairro é tão grande e tem um fluxo de pessoas tão intenso que as feiras poderiam ser expandidas ocupando outros espaços.
01 a 28/02/2011
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